Obsolescência programada é o nome dado à vida curta de um bem ou produto projetado de forma que sua durabilidade ou funcionamento se dê apenas por um período reduzido. A obsolescência programada faz parte de um fenômeno industrial e mercadológico surgido nos países capitalistas nas décadas de 1930 e 1940 conhecido como "descartalização". Faz parte de uma estratégia de mercado que visa garantir um consumo constante através da insatisfação, de forma que os produtos que satisfazem as necessidades daqueles que os compram parem de funcionar, tendo que ser obrigatoriamente substituídos de tempos em tempos por mais modernos.
A obsolescência programada foi criada, na década de 1920, pelo então presidente da General Motors Alfred Sloan. Ele buscou atrair os consumidores a trocar de carro frequentemente, tendo como apelo a mudança anual de modelos e acessórios. Bill Gates, fundador da Microsoft, também adotou esta estratégia de negócio nas atualizações do Windows.
Então, já notaram como uma bateria que compramos para substituir a original de um produto, seja de um celular, telefone sem fio ou notebook, por exemplo, nunca dura tanto quanto a bateria original? Ou como as impressoras jato de tinta se recusam a imprimir do nada, exigem trocas de cartuchos cada vez mais rápidas? Compramos uma máquina de lavar, e em pouquíssimos anos, elas já estão parando de funcionar e exigindo manutenção geralmente tão cara que nos leva a comprar um produto novo?
É muito comum notarmos como os produtos mais antigos duravam mais, eram mais confiáveis, e funcionavam até por décadas. Muitas vezes, vemos esse mecanismo como apenas uma redução de custo das empresas, através do uso de materiais mais baratos e piores. Mas a coisa vai mais a fundo. Desde a o inicio do século XX, os capitalistas começaram a ver que produtos duráveis nem sempre eram vantajosos para os seus lucros, e que poderiam intervir nisso. Em especial na segunda metade do século XX, um novo conceito se estabeleceu, a obsolescência programada. Seja através do design, da durabilidade, pela redução da manutenibilidade de produtos, o capitalismo busca fazer não produtos melhores, mas piores.
Documentário
O documentário a seguir é um bom começo para estimular a arte do pensar no consumidor egocêntrico. De nada adianta defender uma causa sem conhecimento e atitude. Em tempos de discussão sobre sustentabilidade e meio ambiente é preciso que o cidadão pare de repetir frases feitas e perceba que o seu papel na sociedade de consumo é o principal.
Produzido pelo Canal 2 da Televisão Espanhola e RTVE, o documentário "Comprar, descartar, comprar: A história secreta da Obsolescência Programada” faz uma viagem na história e detalha uma prática empresarial empregada desde os anos 1920 que consiste na redução da vida útil de um produto para incrementar o seu consumo. Este trabalho foi rodado em 5 países e é o resultado de três anos de investigação, faz uso de imagens de arquivo pouco conhecidas, junta provas documentais e mostra as desastrosas consequências para o meio ambiente que derivam desta prática.
A sociedade precisa perceber que antes do "consumidor” existe o "cidadão”. Ninguém é melhor ou mais feliz porque possui um determinado produto. Este conceito enganoso e discriminatório é apenas parte do trabalho da propaganda a serviço das empresas. Por essas e por outras que a maior parte da população mundial odeia seu trabalho, mas depende daquilo para poder comprar o que não precisa para tentar preencher o vazio emocional resultante de todo este processo. Quem ganha com isso? Você sabe...
O documentário está dividido em 4partes no YOUTUBE:
1ª parte - http://www.youtube.com/watch?v=sfsc0bvKz1M
2ª parte - http://www.youtube.com/watch?v=IC9C2ubif4U
3ª parte - http://www.youtube.com/watch?v=QB2Xqh3Fh50
4ª parte - http://www.youtube.com/watch?v=a1eSLDsJMW8
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